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Reforma Tributária e Clínicas Médicas: como a nova alíquota impacta a sua carga tributária?

A Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) está promovendo uma das maiores mudanças no sistema fiscal brasileiro. A substituição de tributos como ISS, PIS e Cofins por novos impostos — IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sob

Dr. Flávio Nogueira Cavalcanti

21 de agosto de 2025
5 min de leitura

A Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025) está promovendo uma das maiores mudanças no sistema fiscal brasileiro. A substituição de tributos como ISS, PIS e Cofins por novos impostos — IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — gera impactos diretos para clínicas médicas e profissionais da saúde.

Uma das principais novidades foi a redução de 60% na alíquota do IBS e da CBS para serviços médicos. Mas afinal, isso significa economia real para clínicas e consultórios?

O que muda na tributação das clínicas médicas?

Com a reforma, os antigos tributos sobre consumo (ISS, PIS e Cofins) serão progressivamente substituídos pelos novos:

  • IBS – de competência estadual e municipal, em substituição ao ISS;

  • CBS – de competência federal, em substituição ao PIS e Cofins.

A alíquota padrão estimada desses tributos é de cerca de 27,5%. Porém, os serviços de saúde conquistaram uma redução de 60%, o que levaria a uma carga efetiva aproximada de 10,6%.

Quais serviços médicos terão direito à alíquota reduzida?

Nem todos os serviços de saúde terão a mesma tributação. A lei prevê que apenas determinadas atividades listadas no anexo III da LC 214/2025 serão contempladas com a redução, entre elas:

  • Serviços cirúrgicos;

  • Ginecologia e obstetrícia;

  • Psiquiatria;

  • Atendimento em UTI e pronto-atendimento;

  • Clínica médica em especialidades diversas;

  • Serviços hospitalares e de ambulância.

Ou seja, a correta classificação fiscal dos serviços será decisiva para que clínicas e médicos usufruam da alíquota diferenciada.

A redução garante diminuição da carga tributária?

Aqui está o ponto crítico: nem sempre a redução nominal da alíquota significará menos impostos. Isso porque o impacto varia de acordo com:

  • Regime de tributação atual – Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real;

  • Tipo de serviço prestado – se está ou não na lista de atividades beneficiadas;

  • Local de atuação – a alíquota final do IBS dependerá da fixada por estados e municípios.

Na prática, algumas clínicas podem até perceber aumento da carga tributária caso não estejam corretamente enquadradas ou se não aproveitarem benefícios como a equiparação hospitalar.

Comparativo prático: clínica médica com faturamento de R$ 50.000,00 mensais

Para ilustrar, veja como fica a carga tributária hoje, no Lucro Presumido (ISS de 5%), e como ficará com a Reforma Tributária:

Situação Atual (Lucro Presumido – ISS 5%)

  • IRPJ: 4,80% → R$ 2.400,00

  • CSLL: 2,88% → R$ 1.440,00

  • Cofins: 3,00% → R$ 1.500,00

  • PIS: 0,65% → R$ 325,00

  • ISS: 5,00% → R$ 2.500,00
    🔎 Total: 16,33% → R$ 8.165,00

Situação com a Reforma Tributária

  • IRPJ: 4,80% → R$ 2.400,00

  • CSLL: 2,88% → R$ 1.440,00

  • IBS + CBS (com redução de 60%): 10,6% → R$ 5.300,00
    🔎 Total: 18,28% → R$ 9.140,00

➡️ Impacto: aumento de R$ 975,00 por mês na carga tributária de uma clínica que fatura R$ 50 mil.

Como será a transição para o novo sistema?

A implementação será gradual:

  • 2026 a 2028 – fase de testes;

  • 2029 a 2032 – substituição progressiva dos tributos atuais;

  • 2033 a 2035 – plena vigência do IBS e CBS.

Esse período de transição permite adaptação, mas exige que clínicas iniciem desde já o planejamento tributário para reduzir riscos e identificar oportunidades de economia.

Por que o planejamento tributário é essencial para clínicas médicas?

Diante da Reforma Tributária, clínicas e profissionais da saúde devem avaliar:

  • Qual regime tributário será mais vantajoso (Simples, Presumido ou Real);

  • Se sua atividade médica está incluída no rol de serviços com alíquota reduzida;

  • Se é possível aplicar a equiparação hospitalar, que pode reduzir ainda mais a carga tributária;

  • Impacto das alíquotas estaduais e municipais, que ainda serão definidas.

Sem esse cuidado, clínicas podem pagar mais impostos do que o necessário — ou até perder benefícios fiscais por enquadramento incorreto.

Conclusão: clínicas precisam se preparar agora

A Reforma Tributária trará mudanças profundas na forma como clínicas médicas são tributadas. A redução de 60% na alíquota do IBS e da CBS é um avanço, mas não garante automaticamente diminuição da carga fiscal.

O caminho seguro é investir em planejamento tributário estratégico, acompanhando a regulamentação em cada estado e município, e avaliando constantemente o regime mais adequado para cada clínica.

Com as decisões corretas, é possível não apenas evitar aumento de carga tributária, mas também conquistar economia expressiva dentro da legalidade.

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