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O MÉDICO QUE PAROU DE ATENDER PACIENTES.

Nome, imagem, reputação: Preocupações que fazem parte do universo dos profissionais da saúde. Ninguém quer ter o seu nome exposto em processos e noticiários. É apavorante. A maioria me relata que sente um frio na espinha quando o paciente e a família

Dr. Rodrigo Cavalcanti

18 de janeiro de 2022
2 min de leitura

[Histórias da minha trajetória]

Nome, imagem, reputação: Preocupações que fazem parte do universo dos profissionais da saúde.

Ninguém quer ter o seu nome exposto em processos e noticiários.

É apavorante.

A maioria me relata que sente um frio na espinha quando o paciente e a família questionam a qualidade da assistência, o tipo de procedimento ou mesmo quando insinuam uma alta prematura e a indicação errada da linha de tratamento proposta.

Parece que a qualquer momento receberão a temida “cartinha do CRM” e uma citação judicial.

E quando o temor torna-se realidade?

Geralmente os médicos recepcionam o processo com muita “dor no peito”, angústia, dúvidas e preocupações, do início ao fim.

Há alguns que tem danos graves de saúde ou até desistem da assistência.

Foi o caso de um cliente.

A mulher e os filhos do paciente fizeram uma representação no CRM.

Acusaram o meu cliente de negligência, sob a alegação de que ele teria deixado de prestar atendimento ao doente na enfermaria.

Ao final, foi absolvido, pois demonstramos que ele estava de plantão na UTI e “acudindo” os pacientes que lá estavam, ou seja, seria impossível prestar dois atendimentos simultaneamente.

Infelizmente, a plantonista da enfermaria havia se ausentado com alguns minutos de antecedência do seu horário (e naqueles minutinhos ocorreu a emergência com um pct).

Claro que o meu cliente não poderia ser obrigado a se responsabilizar por dano eventualmente causado por terceiro.

Final da história. A despeito da absolvição, o meu cliente não suportou os trâmites de uma “contenda”, e apavorou-se com a ideia de novos conflitos, novos processos, novas exposições e dúvidas em relação à sua ética e ao seu nome.

Parou de assistir, e partiu para a área da perícia médica, em que os riscos de processos (e tudo que ele envolve) são bem menores.

Portanto, nunca é tranquilo para um médico estar no banco dos réus (principalmente quando o processo é injusto).

Por isso repito que a prevenção é sempre a melhor opção, para evitar ou minimizar danos de toda sorte, inclusive os que refletem na mudança radical da carreira.

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