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Fui notificado pelo CRM: o que fazer nas primeiras 48 horas

Recebeu uma notificação do CRM? Saiba o que é uma sindicância, quais são seus direitos como médico e por que as primeiras 48 horas são decisivas para a sua defesa.

Dra. Giovanna Trad

14 de maio de 2026
5 min de leitura
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Receber uma notificação do Conselho Regional de Medicina é uma experiência que gera ansiedade imediata — e, muitas vezes, reações precipitadas que comprometem a defesa. Se você acabou de ser notificado, este artigo foi escrito para as próximas horas.

O que significa a notificação

A notificação do CRM pode ter dois significados distintos:

1. Instauração de sindicância — É a fase preliminar, de investigação. O CRM recebeu uma denúncia (de paciente, familiar, colega ou plano de saúde) e está verificando se ela tem fundamento para virar um processo. Nesta fase, o médico é chamado para prestar esclarecimentos.

2. Abertura de Processo Ético-Profissional (PEP) — A sindicância já foi concluída e o Conselho entendeu que há elementos suficientes para instaurar um processo formal. O médico passa a ser acusado e terá prazo para apresentar defesa escrita.

Saber em qual fase você está é o primeiro passo. Está escrito na notificação — leia com atenção ou envie a um advogado especialista em direito médico antes de qualquer ação.

O que NÃO fazer nos primeiros momentos

Antes de falar o que você deve fazer, é preciso dizer o que não deve:

  • Não responda de improviso. A primeira manifestação ao CRM, mesmo na sindicância, pode ser usada contra você. Cada palavra conta.
  • Não entre em contato com o denunciante. Qualquer tentativa de contato pode ser interpretada como pressão sobre a testemunha e agravar sua situação.
  • Não apague, altere ou suprima nenhum documento. Prontuário, receituário, laudos — mantenha tudo exatamente como está. Alterações posteriores são detectáveis e constituem infração gravíssima.
  • Não ignore o prazo. A notificação traz um prazo para resposta — geralmente 15 a 30 dias. Deixar fluir sem resposta pode ser interpretado como confissão ou ausência de interesse na defesa.

O que fazer imediatamente

1. Reúna toda a documentação relacionada ao caso

Prontuário completo do paciente, evoluções, receitas, exames solicitados e resultados, termos de consentimento, registros de comunicação (inclusive WhatsApp, se houver). Guarde tudo em lugar seguro — inclusive cópias.

2. Escreva uma linha do tempo detalhada

Enquanto os fatos estão frescos, registre tudo que aconteceu: datas de consultas, o que foi discutido, quais foram as orientações, qual foi a evolução clínica. Esse registro vai ser a base da sua defesa.

3. Consulte um advogado especialista em direito médico — antes de assinar qualquer coisa

Esta é a orientação mais importante. Muitos médicos cometem o erro de responder ao CRM sem orientação jurídica, acreditando que a "verdade dos fatos" vai falar por si. O processo ético tem regras formais, prazos e linguagem específica — uma defesa técnica bem construída faz toda a diferença no resultado.

O que acontece na sindicância

A sindicância é conduzida por uma comissão do CRM. O médico é convocado para uma audiência e pode ser assistido por advogado. Ao final, a comissão pode:

  • Arquivar a denúncia — se não houver fundamento
  • Instaurar o Processo Ético-Profissional (PEP) — se entender que há infração a ser apurada

A sindicância não é condenação. É investigação. Médicos com defesa bem estruturada nesta fase têm muito mais chance de arquivamento — o que evita o desgaste de um processo formal.

O que acontece no Processo Ético-Profissional

Se a sindicância resultar em abertura de PEP, o médico receberá uma nova notificação com a acusação formal. A partir daí, terá prazo — geralmente 15 dias, prorrogável — para apresentar defesa escrita, indicar testemunhas e juntar documentos.

O processo corre perante o Tribunal de Ética do CRM e pode resultar em:

  • Absolvição
  • Advertência confidencial
  • Censura confidencial
  • Censura pública
  • Suspensão do exercício profissional (de 30 dias a 1 ano)
  • Cassação do registro (em casos gravíssimos)

A maioria dos processos não chega à suspensão ou cassação — especialmente quando há defesa técnica qualificada e documentação em ordem.

A documentação é sua melhor defesa

Na experiência do nosso escritório, a grande maioria dos processos contra médicos se resolve (ou se complica) na qualidade do prontuário. Um prontuário completo, com evolução detalhada, consentimento informado assinado e comunicações registradas é, na prática, a prova mais poderosa de que o médico agiu com diligência.

Se o prontuário tem lacunas, é hora de entender como apresentar a defesa de outra forma — e isso exige orientação especializada.

Resumo: o que fazer agora

  1. ✅ Identifique se é sindicância ou PEP
  2. ✅ Reúna toda a documentação do caso
  3. ✅ Escreva uma linha do tempo detalhada
  4. ✅ Não responda, não apague, não entre em contato com o denunciante
  5. ✅ Consulte um advogado especialista antes de qualquer manifestação formal

A notificação do CRM é séria — mas tem solução. Médicos que se defendem com orientação jurídica especializada têm resultados muito melhores do que aqueles que enfrentam o processo sozinhos.


Recebeu notificação do CRM ou está sendo processado? Fale com a Dra. Giovanna Trad — especialista em Direito Médico e defesa de profissionais de saúde no CRM e CRO.

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