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Cinco são indiciados por mortes de pacientes depois de quimioterapia na Santa Casa

Cinco pessoas, sendo dois médicos, dois farmacêuticos e um enfermeiro foram indiciados pelas três mortes e lesões ocorridas em junho de 2014 com pacientes do Setor de Oncologia da Santa Casa de Campo Grande, por conta de reações físicas adversas e gravíssimas em razão de tratamento quimioterápico. A conclusão do inquérito foi apresentada nesta quinta-feira (30) pela delegada responsável pelas investigações, Ana Cláudia Medina.

Foram indiciados o médico responsável pelo setor de oncologia José Maria Ascenso, o médico assistente Henrique Ascenso, os farmacêuticos Rafael Castro Fernandes e Rita de Cássia Junqueira Goudinho Cunha e a enfermeira Giovana de Carvalho Penteado. O setor de oncologia da Santa Casa era terceirizado e o contrato da empresa já havia vencido há seis meses.

As pacientes Carmen Insfran Bernard, Norotilde de Araujo Greco e Maria Gloria Guimarães morreram em 2014, enquanto Margarida Isabel de Oliveira sofreu lesões graves em decorrência do tratamento e faleceu em janeiro de 2015. A coleta de sangue de Margarida foi fundamental para as investigações.

De acordo com a delegada, o farmacêutico Rafael foi o responsável pela manipulação errada de medicamento, que causou diversos efeitos colaterais nas pacientes. As mulheres deveriam tomar um remédio chamado 5-FU, mas no lugar foi administrado Metotrexano, que ampliaram os efeitos negativos em 10 vezes.

Na época do caso, o farmacêutico trabalhava no hospital há três semanas. A troca foi feita no dia 25 de junho de 2014, na parte da manhã. O medicamento foi colocado na bolsa de quimioterapia das pacientes.

Conforme a delegada, ele foi indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar. O farmacêutico era pouco experiente e durante a primeira semana de trabalho acompanhou a enfermeira Giovana, que o ensinou o manipular os medicamentos, e na terceira semana já estava trabalhando sem supervisão.

O médico José Maria Ascenso foi indiciado por homicídio doloso e lesão corporal grave. De acordo com Medina, ele sabia que o farmacêutico era novo e não tinha condições de trabalhar sozinho, assumindo o risco.

Já a enfermeira Giovana foi indiciada por exercício irregular da profissão, por fazer a manipulação de medicamentos, que só poderia ser feita por farmacêuticos.

A farmacêutica Rita de Cássia vai responder por falsidade ideológica. As investigações apontaram que ela era preenchia os prontuários médicos com base na receita médica e horas depois da aplicação. O medicamento era aplicado pelo outro farmacêutico na parte da manhã e o prontuário preenchido durante a tarde com o nome de Rita.

Todos os indiciados vão responder em liberdade, já que colaboraram com as investigações e apresentaram todos os documentos solicitados.

A médica Priscila Alexandrino, responsável pela sindicância feita na Santa Casa, disse que depois do acontecido, o setor, que era terceirizado, ficou sob responsabilidade da Santa Casa. 

Fonte: Correio do Estado