28/
Mar
Quando um profissional de saúde é agredido, quem perde é você

O lugar onde a paz e a ordem nunca deveriam ser profanadas, frequentemente vira palco de atitudes impossíveis de serem entendidas. Um hospital é o lugar onde enfermos estão para se recuperar de suas doenças e agravos, mas, infelizmente, tem sido o lugar gerador de doenças. Agressões físicas e assédio moral praticado por pacientes, estão virando rotina em hospitais e unidades de saúde.

Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros profissionais de saúde são a primeira linha de defesa das pessoas enfermas. São estes os profissionais que recebem o paciente desde a entrada no estabelecimento de saúde até a solução do problema. Eles são expostos diariamente às dificuldades físicas, mentais e sociais de seus semelhantes porque escolheram salvar vidas, dar conforto e atenuar o sofrimento com a profissão que decidiram seguir. É isso o que os motiva, é para isso que estudaram e trabalham tanto.

 

Infelizmente, um fenômeno mundial está acabando com as aspirações pessoais e profissionais desses homens e mulheres da saúde. O ambiente de trabalho que existia apenas para curar e atenuar o sofrimento, subitamente, vira um campo de batalha. Por esse motivo, estão se retirando da linha de frente. Ou porque já estão doentes, ou porque estão querendo evitar a doença.

Para tentar melhorar o ambiente de trabalho e a assistência ao paciente, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo – CREMESP – e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN-SP – juntaram-se para conscientizar a todos sobre a agressão ao profissional de saúde e pedem respeito pois, indiscutivelmente, estes profissionais são fundamentais na manutenção da vida.

O Burnout é um fenômeno mundial, que incapacita o profissional para o trabalho. Enfermeiros e médicos são os profissionais mais expostos a esse problema pois lidam diretamente com as dificuldades (as misérias) das pessoas. São profissionais que encaram de frente situações difíceis que, invariavelmente, são absorvidas por eles, diariamente.

Aqui no Brasil, a situação tem se mostrado um pouco pior, pois vemos nos noticiários e nas redes sociais situações que um médico foi agredido pelo paciente, que a enfermeira foi agredida pela mãe do paciente, que o profissional do SAMU foi agredido pelo filho do paciente… Mas nunca assistimos notícias do tipo “Mãe grita com médico e melhora o atendimento”, Ou ainda, “paciente xinga enfermeira, e recebe melhores cuidados”.

Com a campanha “QUANDO UM PROFISSIONAL DE SAÚDE É AGREDIDO, QUEM PERDE É VOCÊ”, oCOREN-SP e o CREMESP acertam em cheio este fato, que não beneficia absolutamente ninguém.

 

Ainda, as agressões partem de quem menos se espera. Em 70% dos casos a agressão veio do paciente, e, em apenas 30% dos casos, do acompanhante ou familiar. A pesquisa ainda aponta que este problema é mais frequente com pacientes do SUS.

Os motivos são os mais diversos, mas nenhum justifica a agressão. O resultado só pode ser um. Quanto mais agressões, menos médicos e profissionais de enfermagem para atender nos pronto-atendimentos.Ao gritar, surrar, ameaçar, quem perde, é o paciente.

FONTE: Fernando Carbonieri, ACADEMIA MÉDICA