17/
Jul
Instituto aborda erros de medicação associados a abreviaturas, siglas e símbolos

O cuidado ao paciente é uma atividade complexa e dependente da comunicação das informações. Falhas de comunicação constituem uma das principais causas de incidentes relacionados à segurança do paciente. Os erros de medicação podem ocorrer em diversas etapas do processo de assistência e têm como um dos pontos mais vulneráveis a prescrição.

 

Prescrições com escrita ilegível, ambíguas ou incompletas, contendo nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes, utilização de zeros de forma inadequada, pontos, decimais e abreviaturas estão frequentemente relacionadas aos erros de medicação.  As abreviaturas são utilizadas nas prescrições para indicar o nome do medicamento, a dose, a via ou a frequência de administração. De uso comum, elas simplificam a redação, mas podem gerar dúvidas e interpretações equivocadas, podendo comprometer a comunicação entre os profissionais que prestam assistência ao paciente e causar graves erros de medicação.  A escrita pouco legível e a existência de abreviaturas semelhantes com diferentes significados, ou de significados distintos para uma única abreviatura aumentam a possibilidade de ocorrência de erro.

 

Os autores de um estudo sobre erros de medicação, realizado em quatro hospitais universitários do Brasil, observaram que em três deles as abreviaturas foram utilizadas em mais de 80% das prescrições avaliadas. Em outro estudo, realizado em um hospital de Minas Gerais, foram identificados 70 diferentes tipos de abreviaturas nas 4.026 prescrições avaliadas, com um total de 133.956 ocorrências (média de 33,3 por prescrição) . É evidenciada, nesses dados, a alta frequência do uso de abreviaturas nas prescrições e a necessidade de conscientização dos profissionais quanto aos riscos associados a esta prática.  É importante destacar que outras formas de escrita abreviada, como símbolos, siglas, números e certas expressões de dose utilizadas nas prescrições, também podem ocasionar eventos adversos, principalmente nas prescrições em duas vias ou em papel pautado.

 

RECOMENDAÇÕES PARA PREVENÇÃO DE ERROS DE MEDICAÇÃO ASSOCIADOS A ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

Evitar o uso de abreviaturas, siglas, símbolos, expressões de dose confusas ou qualquer outra forma de escrita abreviada em prescrições (grafadas, digitadas, informatizadas ou verbais), bulas, rótulos, embalagens de medicamentos e etiquetas de identificação dos locais onde eles são armazenados e em outros documentos utilizados por profissionais de saúde no sistema de utilização de medicamentos


Elaborar uma lista de abreviaturas, siglas e símbolos perigosos cuja utilização é proibida devido ao risco de erro de medicação e com as respectivas explicações sobre o motivo para o não uso.

  

Divulgar amplamente na instituição a lista de abreviaturas proibidas, em formatos de fácil acesso, nos diferentes setores onde se realizam as prescrições, a distribuição e o preparo dos medicamentos para administração.
Recusar prescrições ilegíveis ou contendo abreviaturas e siglas proibidas.

 

Farmacêuticos e atendentes de farmácia devem exigir que essas prescrições sejam retificadas antes de realizar a dispensação.


Realizar verificações ou auditorias regulares para certificar-se de que o uso de abreviaturas e siglas foi eliminado.


Orientar o paciente e a equipe de enfermagem e farmácia a nunca tentar deduzir o significado de qualquer abreviatura presente em uma prescrição, e sempre perguntar ao prescritor o significado de cada uma.


Implantar a prescrição eletrônica utilizando as regras de segurança relacionadas ao uso de abreviaturas, siglas, símbolos e expressões de dose perigosas, configurando o software de prescrição de modo que a utilização de abreviaturas não seja permitida.


ABOLIR imediata e definitivamente:

·         Nomes de medicamentos abreviados ou fórmulas químicas para designá-los

 

·         Doses expressas sem a utilização do zero antes da casa decimal, à esquerda do número (exemplo: nunca escrever “,5 miligramas”; escrever sempre “0,5 miligramas”).

 

·         Doses expressas utilizando o zero após a casa decimal, à direita do número quando este for inteiro (exemplo: nunca escrever “5,0 mililitros”; escrever sempre “5 mililitros”).

 

·         Abreviaturas U (unidades) ou UI (unidades internacionais) devido ao risco de equívoco de interpretação (confusão com o numeral “0”) e consequente multiplicação da dose por dez.

 

Treinar os profissionais de modo a estabelecer uma cultura de segurança, ressaltando a importância.