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Jul
Estado cria grupo de combate à violência contra médicos e enfermeiros

Decisão foi publicada no Diário Oficial de São Paulo. 3.330 profissionais da saúde foram agredidos, diz pesquisa de 2015.

 

Após denúncias de agressões a 3.330 médicos e enfermeiros, o governo de São Paulo criou um grupo de combate à violência contra os profissionais de saúde. A decisão foi publicada nesta terça-feira (12) no Diário Oficial do Estado. O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) pediram a criação do grupo após divulgarem pesquisa, no ano passado, com agressões físicas e verbais sofridas por funcionários.

 

De acordo com a resolução, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) constituiu o grupo de trabalho para “mapear as ocorrências de violência” para “elaboração de estudos visando à sua prevenção e repressão”. Integrarão o Grupo de Trabalho de Combate à Violência na Saúde representantes da SSP, da Polícia Civil, da Polícia Militar (PM), do Coren-SP e do Cremesp. Eles irão se reunir quinzenalmente para discutir medidas que reduzam os casos de violência contra os funcionários da área de saúde em São Paulo.

 

Os dois conselhos tinham apresentado a SSP dados de levantamentos feitos pelo Datafolha, que mostraram que 5% dos médicos de São Paulo sofreram violência no ambiente de trabalho e 77% dos enfermeiros relataram ter sido vítima de atos violentos.

 

As pesquisas foram encomendadas pelo Cremesp e Coren-SP, que divulgaram os resultados à imprensa em dezembro do ano passado. Entre setembro e outubro, o Datafolha ouviu por telefone 617 médicos paulistas. Desse total, cerca de 30 médicos disseram ter sofrido alguma agressão física ou verbal em algum momento da vida profissional. Também foram ouvidos 4.293 enfermeiros por meio de questionários eletrônicos: pouco mais de 3.300 dos profissionais de enfermagem contaram ter sofrido violência. Os dados de violência podem ser maiores, pois existem cerca de 130 mil médicos e 460 mil enfermeiros em São Paulo.

 

No levantamento, parte dos médicos relatou que a insatisfação dos pacientes e familiares destes com o sistema público de saúde gera violência contra os profissionais. Mau atendimento nem hospitais e falta de estrutura são outros motivos alegados para explicar as agressões.

 

Coren-SP

A presidente do Coren-SP, Fabíola de Campos Braga Mattozinho, afirmou à reportagem que criação do grupo de trabalho visa atender uma demanda necessária por conta da ocorrência de casos de violência contra os profissionais da saúde e a alta exposição dessas situações. “O objetivo é mapear os casos a fim de minimizar quaisquer tipos de agressão, trabalhar o fluxo e criar protocolos de atendimento a estes profissionais, além de entender as razões para a intolerância. Não se pode tolerar este quadro na saúde”, disse Fabíola.

 

O G1 procurou a assessoria de imprensa da SSP para comentar o assunto, mas o órgão não havia respondido a reportagem até a publicação desta matéria.

 

Cremesp

“A questão da violência contra profissionais da saúde é um fenômeno atual. A gente tem vivido no pais e no mundo uma cultura da violência. No caso da saúde, os financiamentos do SUS [Sistema Único de Saúde] têm sido cada vez mais precários e isso impacta a acessibilidade dos pacientes e lota prontos-socorros”, explicou nesta terça-feira ao G1 o médico Mauro Aranha, presidente do Cremesp.

Segundo ele, são nos prontos-socorros que têm ocorrido a maior incidência de violência contra médicos e enfermeiros. “Quem está na frente do atendimento e da assistência é a enfermeira e o médico. Como se esses profissionais tivessem de responder pela má gestão de governos.”

 

Para o Cremesp, a criação do grupo de trabalho irá ajudar a identificar onde ocorrem os maiores casos de violência e, desse modo, criar políticas públicas de segurança.

 

“Vamos estabelecer medidas de prevenção”, disse o presidente do Conselho. “Campanhas publicitárias, melhor policiamento nas regiões mapeadas como mais passíveis de agressões a profissionais de saúde. Para efetivar políticas públicas e terminar essa escalada de violência contra médicos e enfermeiros”.

 

De acordo com Aranha, há relatos de agressões físicas com uso de armas. “Às vezes armas brancas. Tem casos de profissionais esfaqueados. Teve o caso de uma enfermeira na UBS [Unidade Básica de Saúde da Vila Lucinda, em Santo André, esfaqueada em abril”.

 

Fonte: G1-SP