10/
Feb
Controle de infecção hospitalar é sinal de segurança e qualidade hospitalar

A irmã de Kim Kardashian, a estadunidense Khloé, contraiu uma infecção estafilocócica durante a estada como acompanhante do ex-marido no hospital. Khloé começou a desenvolver uma ferida em sua perna, que rapidamente se tornou uma infecção ‘extremamente dolorosa’, causando febres extremas, calafrios e esgotamento físico.

 

“Desde a morte de Tancredo Neves em 1985 que a famigerada infecção hospitalar é notícia em nosso País e vira e mexe encontramos notícias referentes ao assunto. Durante décadas, porém, hospitais em todo o Brasil e em todo o mundo produziram milhões de dados estatísticos e atacaram pontualmente “surtos” de infecção hospitalar”, diz o Dr. Dario Fortes Ferreira, Superintendente Médico do Hospital Samaritano e Presidente do IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente, dedicado a melhorar a qualidade na assistência à saúde e a segurança do paciente.

 

 

As infecções

Combater e prevenir as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) faz parte da segurança do paciente, já que são eventos adversos muito frequentes e de fácil prevenção, desde que dentro de um contexto de qualidade no cuidado assistencial.

 

A pneumonia nosocomial é a segunda infecção hospitalar mais comum e a causa mais comum de morte entre as infecções adquiridas em ambiente hospitalar. Segundo o Dr. Dario, especialistas, mesmo os mais renomados, acreditavam, e muitos ainda acreditam, que este evento adverso estará sempre presente nos hospitais: “É comum nos relatórios (quase secretos) das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar encontrar expressões do tipo: nossa incidência de pneumonia hospitalar está no nível endêmico”.

 

Porém, após décadas, com o surgimento do relatório “To Err is Human” e da Campanha 5 Milhões de Vidas do IHI, passou-se a entender que a pneumonia hospitalar é um evento adverso, que indica problemas na segurança do paciente. “O nível endêmico aceitável para a incidência de pneumonia hospitalar é zero”, reforça Dr. Dario.

 

Prevenir é o caminho

A ANVISA lançou um novo Manual de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde em 2013. “A cada ano ocorrem nos Estados Unidos da América (EUA) entre cinco e dez episódios de pneumonia relacionada à assistência à saúde por 1.000 admissões. Estas infecções são responsáveis por 15% das infecções relacionadas à assistência à saúde – IRAS e aproximadamente 25% de todas as infecções adquiridas nas unidades de terapia intensiva – UTI”, salienta o manual.

 

Algumas medidas gerais preventivas para prevenção das IRAS são a higiene das mãos e o treinamento da equipe multiprofissional para as medidas de prevenção gerais.

 

Entre as medidas específicas fortemente recomendadas para prevenção de pneumonia em ambiente hospitalar, estão:

Manter os pacientes com a cabeceira elevada entre 30 e 45o;
Avaliar diariamente a sedação e diminuir sempre que possível para pacientes sob sedação contínua;
Realizar aspiração da secreção subglótica para pacientes intubados em ventilação mecânica;
Fazer higiene oral com antissépticos (clorexidina veículo oral).

 

Essas dicas são apenas o começo de como o profissional de saúde precisa estar engajado no combate às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). “É necessário que esse novo paradigma se difunda e que os gestores hospitalares descubram que o impossível é possível. Talvez em alguns anos ou em poucas décadas, sejamos capazes de nos referir à infecção hospitalar como uma das mazelas do passado, como é para nós a peste que, no século 14, dizimou milhões de vidas humanas”, finaliza Dr. Dario.

 

Fonte: segurancadopaciente.com.br